Já parou para pensar no contraste absurdo que existe em um curto trecho de litoral aqui no Paraná? De um lado, você tem Antonina, com aquele silêncio quase sagrado, casarões coloniais que parecem sussurrar histórias do século XIX e o tempo correndo num ritmo próprio, bem devagar. Do outro, a poucos quilômetros dali, avistamos as gruas gigantescas e os navios colossais do Porto de Paranaguá. É como se o passado e o futuro estivessem sentados à mesa, dividindo um prato de barreado. Muita gente que desce a Serra do Mar — seja pelo trem ou pela charmosa Estrada da Graciosa — foca quase todo o tempo em Morretes. Não me entenda mal, Morretes é incrível, mas ignorar a força e a beleza bruta de Paranaguá é perder uma peça fundamental do quebra-cabeça paranaense.
O Porto Dom Pedro II não é só um hub logístico que escoa soja e carro para o mundo inteiro; ele é um espetáculo visual para quem gosta de entender como o mundo funciona. Quando levo viajantes para lá, a primeira reação é sempre de espanto com a escala das coisas. Ver um navio cargueiro de perto, enquanto você caminha pela região histórica de Paranaguá, dá uma perspectiva real do nosso tamanho diante da engenharia moderna. E o mais curioso é que essa convivência entre o gigante industrial e a herança histórica é muito mais próxima do que a gente imagina. O choque térmico entre a calmaria e o movimento Se Antonina é o refúgio lírico, Paranaguá é o coração pulsante. O porto é o segundo maior do Brasil, e isso traz uma energia vibrante para a cidade. No entanto, o segredo para aproveitar de verdade essa vizinhança é saber transitar entre esses dois mundos. Um roteiro que costumo sugerir para quem quer fugir do óbvio envolve começar o dia sentindo a maresia no trapiche de Antonina, talvez com um café olhando para a Baía de Paranaguá, e depois seguir para o centro histórico de “Parnaguá” (como os locais carinhosamente chamam). Lá, o casario colorido do século XVIII e XIX, como o do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR, fica a poucos passos de onde a economia global acontece.
Dica de quem conhece o trecho: Se você tiver a chance, faça um passeio de barco pela baía saindo de Paranaguá em direção à Ilha do Mel ou apenas para circundar a área portuária. Ver os golfinhos (os famosos botos-cinza) nadando perto de navios que pesam milhares de toneladas é uma daquelas imagens que a gente não esquece. É o equilíbrio improvável entre a natureza e o aço. Gastronomia e cultura além do óbvio A gente fala muito do barreado de Morretes, mas o litoral todo respira essa cultura. Em Paranaguá, o Mercado do Peixe é uma parada obrigatória. Não é um lugar “montado para turista”; é a vida real. Você vê o pescador chegando, o dono do restaurante escolhendo o camarão daquela manhã e sente o cheiro do mar de um jeito honesto. É o lugar perfeito para comer um fruto do mar fresquíssimo antes de seguir viagem. Outro ponto que muita gente deixa passar é o Santuário de Nossa Senhora do Rocio. Mesmo que você não seja uma pessoa religiosa, a arquitetura e a importância cultural para o estado são gigantescas. É ali que a fé do povo caiçara se encontra com a história de formação do Paraná. https://curitiba-travel.com.br/mercado-municipal-de-curitiba/